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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

"É tudo quanto sinto, um desconcerto"

Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, justamente choro e rio,
O mundo todo abarco e nada aperto.


É tudo quanto sinto, um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora acerto.


Estando em terra, chego ao Céu voando;
Numa hora acho mil anos, e é jeito
Que em mil anos não posso achar uma hora.


Se me pergunta alguém por que assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.

Luís Vaz de Camões
 
Erika

sábado, 11 de setembro de 2010

Felicidade

A felicidade é saber o que se quer e querê-lo apaixonadamente. 
Félicien Marceau

Acho que neste momento me posso considerar uma pessoa feliz. 

Erika

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Que faço eu aqui sem ti afinal?


Sonhei contigo esta noite... Acordei a chorar.

Estávamos no Algarve e eu encontrava-te no meio da multidão numa das ruas...

- Eu sabia! Eu sabia que tu estavas aqui! - disse-o da maneira efusiva que imagino ter se voltasses hoje...

Abracei-me a ti e chorei...Sorria muito e chorava; estava tão confortável encostada a ti, a sentir-te contra o meu peito.

Afastaste-me quando te quis olhar nos olhos; não percebia por que é que estavas tão calado...

- Inês, eu já te esqueci. Já não me dizes nada. Isto não tem sentido para mim.

Viraste-me costas e eu fiquei inerte.

Acordei a chorar, como disse. E chorei mais... Senti tanto a tua falta esta manhã. Já tive pesadelos antes mas estiveste sempre lá para me abraçar. Para me dizer que estava tudo bem; que mesmo cheio de sono e mau feitio, me amavas. E agora?

Dizem que os sonhos são a representação inconsciente dos desejos mais profundos do consciente.


Como raio foi parar ao meu inconsciente que tu já não me querias? E será que isso não pode acontecer? Argh, e tenho nojo de mim por pensar isto mas...eu choro, agora, quase todas as noites. E tu? Já te esqueceste de mim? E se é isso que no fundo eu quero? Que te tenhas esquecido de mim para que também eu possa seguir em frente??

O meu irmão é psicólogo, tu sabes, então estou incutida a pensar em tudo e é esta a explicação que encontro no meu inconsciente ou.... Foi só um sonho?

Eu quero-te comigo. (ponto) Eu sinto a tua falta. (ponto) Não quero saber de sonhos, sejam eles perseguições, ladrões, incêndios, tu ou o vizinho. Só quero ter-te e sentir-te. Preciso de saber que estás bem.

Corro pelas ruas cheias de multidão. Preciso de gente a abafar o meu choro, os meus soluços. De calor, de me sentir sufocada fisicamente, apertada, a tentar fugir num labirinto, a encolher-me, sem ver, porque todos são maiores que eu...

Foste embora e deixaste-me em destroços... I don't think I can't take it anymore... Eu já pensei, meu anjo... Eu já pensei em ficar lá em baixo na água contigo... Eu já pensei... Sou demasiada fraca para ficar mesmo lá.

Que faço eu aqui sem ti afinal?

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Inês # Já não te (me) sinto


Como o calor e o tempo o exigiu fui à praia. Acabei por ir até mais que uma vez...

Quando dei com o sabor a mar frio e salgado, parecia provar do meu coração.

Alguma coisa mudou realmente... Na primeira ida à praia a uns kms de Campolide, senti-te no vento, no ar. Na maresia, no mar. Não me senti bem, mas confortável num sítio por onde já passámos e discutimos também. Onde nos desencontrámos em tempos diferentes. Já na segunda vez em que fui, quando tentei procurar-te na água (ao não te encontrar no vento, no calor, na areia...), não te senti na água comigo. Não estavas lá e não percebi porquê. Não percebo. Voltei no dia seguinte, depois do trabalho - não estavas lá.

Que fiz eu? A culpa é minha? Por que é que já não te sinto comigo? Quero voltar ao nosso sofá, quero ter-te apoiado em mim, com a cabeça no meu colo, quero despentear o teu cabelo... Que fiz eu? A não ser procurar-te quando (sempre) te queria, estar perto tanto tempo quanto me era permitido. Que fiz eu, que fiz eu?

Amor, meu amor, estou a pedir-te. Achava que aguentava as saudades... Volta para casa.


Inês.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Um selito



O desafio deste selo é:
1) Ostentar o selo.

Uma senhora aqui do Mundo de Loucos, que vocês conhecem por Cisne, mandou-me este selinho =)

2) Passar a 5 pessoas e dizer o porquê de achar que o seu blog dá que falar.

1º - http://mybreakingdawn.blogspot.com/ porque esta menina tem um bocadinho de tudo: boa disposição, bom gosto e acima de tudo boa escrita! =)

2º - http://saboradocicado.blogspot.com/ porque esta menina acredita no amor, já amou, já sofreu por amor e sonha com ele. Porque sabe rir mas também sabe chorar. Porque já muitos de nós passaram por isto e gostam de ler sobre os assuntos do coração.. E ainda, esta menina tem qualquer coisa de cativante =p

3º - http://eraumavezparasempre.blogspot.com/ porque é bem disposta e sonhadora, sabe sempre bem lê-la =)

4º - http://globalizacomigo.blogspot.com/ porque estes senhores assim também são importantes, porque o mundo por vezes precisa de uma boa dose de humor! Tem todos os tipos de humor, do simplesmente pateta ao mais inteligente! Aqui é riso certo! ;)


5º - Como já foram os dois selados, não fazia mto sentido selá-los outra vez, mas não posso deixar de falar deles: http://cisne10.blogspot.com/ e http://luna-marcasdeluna.blogspot.com/ duas meninas diferentes, que vale a pena ler! Foi só para reforçar o que já foi dito por outras pessoas! =)

3) Dizer porque o meu blog dá que falar.

Dá que falar? Pois claro que dá! 7 pessoas completamente loucas que se juntaram para escrever maluquices! XD São milhares de palavras desengonçadas, que formam textos lindos e muito interessantes! =)

Já temos alguns seguidores e queremos mais, muito mais! =)

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Palavras...

Nunca fui tão poética como agora. Metáforas? Aos montes. É uma boa maneira de fugir à verdade, dizendo-a sem a dizer. Usá-las nas alturas certas pode ser bom. Mas acho que exagerei. Tornou-se uma necessidade, quase um vício. 

Mas cansei-me. É por isso que estou aqui, a escrever esta espécie de carta. É para ti. É uma tentativa estúpida de aliviar a minha dor. 

Não me apetece usar grandes palavreados. Não me servem de nada. Durante todo este tempo, as palavras estavam cá guardadas. Mas nunca saíram. Podem não ser as palavras certas ou as mais bonitas, mas estas vêm do coração. 

Neste momento só quero dizer que te amo e que não tenho medo ou vergonha de sentir isso.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Um riso em um ano de guerra


Os dias passam devagar... Não sei para onde me dirijo, não te tenho para me guiar. E guiar-te também me fazia tão bem...

Hoje ri-me pela primeira vez em muito tempo... Claro que com a minha tia, com aquele sentido de humor irreverente, que não desaparece nem com mil depressões, graças a Deus.

Se fosse para continuar com um discurso deprimente não viria aqui. Sei que já lá se vai algum tempo que não escrevo mas isso ajuda-me. Mas demorei tanto tempo porque esperava sentir-me melhor. A gargalhada de hoje, trouxe-me uma nesga de esperança - achei que era o momento certo para voltar aqui.

Sinto a tua falta como dantes, tanto quanto dantes mas...acho que é como um braço partido ou uma perna amputada: vai sempre fazer-nos muita falta mas temos de nos adaptar. Estarei à tua espera sempre. E eu sei que vais voltar.

Hoje sinto-me diferente, estranha. Será que alguma coisa está a mudar?


Cisne.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Um dia fico lá em baixo contigo




Tenho passado os meus dias na piscina. Sinto-te perto de mim.

Quando mergulho, imagino que corro para te abraçar;
Quando fico inerte, imersa, imagino que te contemplo;
Quando o ar me falta e devo nadar para a superfície, é como se te estivesse a abandonar...
Quando, por fim, já posso respirar, queria ter tido força para ficar lá em baixo contigo...

Depois nado, nado, nado... Enquanto debaixo de água, estou contigo e esqueço a brutal realidade - tu não estás e podes nem voltar.

Um dia fico lá em baixo contigo. Para sempre.


Volta para casa...
Inês.


segunda-feira, 12 de julho de 2010

Na multidão, onde te escondes?


Já nem tenho vontade de escrever. Não sei nada de ti. O que estás a fazer, o que estás a dizer, o que estás a pensar, o que estás a sentir. Ainda pensas em mim? Na multidão onde te escondes?

Como sei que estás bem? É até a tua mãe receber um telefonema em casa e me telefonar num pranto? Será? Vais-me fazer suportar isso? Se estou a ser egoísta pois que seja. Não estava preparada para te deixar ir embora e nunca ninguém me perguntou a esse respeito.

E porque foste? Outros podiam ter ido em teu lugar; outras poderiam estar a sofrer em meu.

Não tenho força para escrever, desculpa... Hoje estou pessimista, hoje não consigo acreditar que voltas, hoje não consigo fingir que tudo vai correr bem, que tu estás bem...
Sinto muito a tua falta. Volta para casa...

Inês.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

This is not a goobye

Aos restantes autores deste blogue e a todos os leitores, this is not a goodbye, é um see you later. Um see you later de alguém que nunca chegou a estar totalmente presente.

Desde que criei o blogue, por várias vezes tentei escrever, mas não tive qualquer sucesso. Simplesmente não estou a conseguir criar outra personalidade na minha cabeça, não consigo imaginar outra pessoa. Ainda não descobri o que me causa este bloqueio.

Talvez seja porque ainda não me encontrei a mim próprio. Sinceramente não sei. Só sei que sempre que tento escrever algo para além das fronteiras do canhoto, bloqueio. Ultimamente nem pela mão do simples canhoto consigo escrever. Vou continuar a tentar desvendar quem eu sou, quem é o canhoto, o que queremos para hoje, o que queremos para amanhã. O Luís e o canhoto são a mesma pessoa, passam pelas experiências e têm memórias em comum. Um é mais sério, mais bruto, mais fechado, mais desconfiado, mas também sabe ser sorridente, bem educado (é um Luís para os comuns). O outro, é mais inocente, mais ingénuo, entrega-se mais às pessoas e aos sentimentos (mesmo que isso o possa magoar), adora o romance, adora sorrir, derrete-se com o olhar, vê sempre uma pontinha de bondade na mais maldosa das pessoas (um Luís mais escondido que se guarda para as pessoas que lhe são especiais e para a sua soulmate, este Luís é mais conhecido por “Canhoto”).

Perceberam alguma coisa do que acabei de dizer? Se não perceberam, não tem mal, que eu ainda estou para me perceber. Voltando ao tema que me trouxe aqui, acho que vou ter que “partir” do blogue durante uns tempos, nunca vou conseguir fazer nada para este “mundo de loucos” enquanto não descobrir por completo os loucos que há em mim, o Luís e o Canhoto.

Mais uma vez this is not a goodbye, é um see you later. Espero que ninguém me leve a mal.

Até já,

O canhoto

quarta-feira, 30 de junho de 2010

# narizinho cheio de personalidade

tanto para escrever e sem tempo para viver.
tanta dedicação e nenhum reconhecimento, é este o estado em que se encontra a minha vida


a força continua
os objectivos mais definidos que nunca

sábado, 26 de junho de 2010

Something changed


Se consigo sentir o sol tão quente assim,
é porque já senti a chuva durante demasiado tempo...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

# narizinho cheio de personalidade

Pai.
partiste e não me deste o beijinho habitual de despedida. foi hoje, dia 17 de junho

acordar do nada, pegar no telemóvel, ver a quantidade de chamadas não atendidas do S., ver que tinha mensagem no voice mail. ter que apagar todas as mensagens que nunca tinha ouvido no voice mail para ouvir a do S. o meu coração batia com tanta rapidez que o sentia capaz de me saltar do peito, eu já chorava antes de ouvir a mensagem. até que ouvi o que o meu coração já sentia.
porque é que não chamei logo a mãe? fiquei todo aquele tempo naquele quarto que me parecia gigante a tentar acreditar.
o teu sorriso Pai, a última imagem que guardo de ti é o teu sorriso.
o teu sorriso, e aquelas imagens que a minha mente gravou nos únicos momentos que a perda me permitiu ver, ainda que com a visão turva.

Não há ninguém que tenha mais orgulho em ti. não tinhas estudos mas eras inteligente, sabias usar as palavras. sabias dar amor e fazer-me sentir a menina dos teus olhos. eu sei que era tua a especial, e sei que também sou a especial da mãe por tudo o que passaram, pela vossa história. sou fruto do "pecado", mas com muito orgulho por terem enfrentado a sociedade e terem vivido o vosso amor.

com muito amor
da tua filha
Narizinho

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Inês # Para estar mais perto de ti

Quando fico com saudades dou em louca. Quase me meto num avião. Chego ao cúmulo de ir à internet ver mesmo horários de aviões; que estupidez, como se pudesse...

Sinto que fico mais perto de ti estando em sítios por onde já passaste. Sei que adoras ciclismo e natação... por isso, todas as semanas sem falta, vou andar pela grande Lisboa, à procura de um rasto do teu cheiro, de uma gargalhada que se assemelhe minimamente à tua.

Ontém fui à piscina. Nadei, nadei, nadei, nadei, nadei... Senti-me bem por um bocado. Senti-me perto de ti. Comecei a imaginar-te ao meu lado, a nadar comigo. Provavelmente (muito provavelmente), a ultrapassar-me. A tentar competir... Era como se me tocasses sem que eu pudesse sentir; só cá dentro sentia. Na água estou mesmo perto de ti.

Sinto falta de te ver, como criança, a chutar as pedras da calçada, deixando os sapatos ou ténis todos brancos ou simplesmente estragados; de te ver a ficar de mau humor e rabugento quando estás com fome ou sono.


Porque foste tu embora? Por que é que a guerra te chamou? Por que é que o meu grito não é mais alto??

Já não aguento sem saber como estás, como te encontras... Se vais voltar são e salvo, se vais voltar a nadar, se eu te vou voltar a sentir... Tenho o coração apertado...

Volta para casa.


Inês.


sábado, 12 de junho de 2010

Inês # On and off...


Quis ligar-lhe de novo quando desliguei.

Penso tantas vezes isso, estou a ficar até doida com isso. Nem sou de me arrepender mas arrependo-me tanto disto. Diria ao telemóvel "Pára!" E ele pararia em sobressalto, em surpresa, confuso. Então eu correria o mais depressa que pudesse para junto do carro e sorria - afinal, para além de sorrir-lhe não saberia o que mais dizer, não havia qualquer justificação para estar a fazer tal coisa, apenas sabia que tinha de o fazer.

E então, com sorte, de dentro abrir-me-ias a porta do carro, convidar-me-ias a entrar e eu conseguiria, por fim, olhar-te com atenção, com cuidado, com pormenor. Beijar-te-ia, por certo não ia resistir...E assim, depois, sem poder mais lutar contra o tempo da realidade, teria mesmo de te deixar ir.

Como estes 10 minutos teriam feito a diferença... Imagino-os e re-imagino-os, over and over again, na minha cabeça. Estou a ter dificuldades em esquecê-lo. Em esquecer-te. E agora quando voltas? Vais, vens, vais, vens... E não levas a saudade, deixa-la aqui, comigo, a apertar-me com força e mais força... Vais, vens, vais, vens...


Inês.

O valor


Ontem estava a reflectir acerca do valor das coisas/pessoas/animais... Foi então que comecei a pensar como se poderia provar ou encontrar este valor. É frequente a expressão:"Para mim, o Pedro tem valor". Ora, porquê? Porque tem 20 medalhas de campeonatos de basquetebol? Ou será porque é uma pessoa bondosa? O que determina afinal o valor de alguém?



Penso que o valor de alguém/objecto/animal pode dividir-se em: 1) Aspecto (e aqui entram todas as apetências físicas, psicológicas, morais, valor sentimental, etc.) e 2) Vida (e aqui entra o modo como vive, conquistas, metas, objectivos, etc, e, no caso de um animal ou objecto a importância que teve na nossa vida). Agora: Qual destes critérios o mais importante? Qual destes decide, determinantemente, o valor (e o quantifica), ou a ausência dele?


Isto é um tema-problema muito subjectivo. Eis a minha perspectiva, bastante modesta e imatura: O valor de alguém é divisivel, sim, nestas duas categorias, mas ambas com igual importância. Isto é, recorrendo ao exemplo anterior, Pedro, não tendo ganho nenhuma medalha, nem tendo feito nada merecedor de reconhecimento na sua vida, não deixa de ter valor visto que é uma pessoa bem-educada e especial (como poderiam ser enunciadas outras quaisquer qualidades). E o mesmo e o contrário se dá, de igual forma, nos casos de um animal ou objecto.


Ou seja, o valor está onde decidirmos que ele está; é algo que nós percepcionamos subjectivamente e, por consequência, relacionamos a determinada pessoa/animal/objecto.



Acrescento ainda que, o valor é algo que pode ser atribuido por nós, a nós mesmos, ou por outros. O que o atribuir deve estarna posse de uma consciência moral, de modo a realizar uma avaliação consciente. Daí que surja, muitas vezes, a problemática da sobrevalorização e subvalorização. Mas aí reside outra questão.


Cisne.


quarta-feira, 9 de junho de 2010

Consegues ouvir-me?


A saudade aperta tanto... Estás aí? Ouves os meus gritos? Se ouves, responde-me.

Olhar para o telemóvel é um suplício, estou sempre à espera que sejas tu. E quando nos chateamos... Grr, que nervos, só me apetece pedir desculpa para acabarmos com aquilo e fazermos as pazes. Mas sou tão teimosa... Não peço, não peço, não peço! Afinal, tenho razão...

Mas isso agora não importa...
Consegues ouvir-me? Quero desesperadamente qualquer coisa tua... Uma pergunta, uma resposta e um adeus não chega mais. Consegues ouvir-me? Possivelmente? Provavelmente? Quem sabe...

Sinto a tua falta. E não sei mais como o não dizer...



Cisne.


P.S.- Que texto maricas. As mulheres têm que ser sempre tão sentimentais?? Grr

terça-feira, 8 de junho de 2010

# narizinho cheio de personalidade

ontem...
ontem sem querer cheguei à conclusão que não te conheci. 
porque não quiseste viver comigo?
porque foste embora sem me dizer? sem me avisar.
já não me visitas nos sonhos.
a (tua) velha marca de tabaco já não existe, era o único cheiro que me ligava a ti.
sinto que não sei nada de ti.
não sei se foste para a guerra, não sei a tua cor preferida. seria o vermelho? eras benfiquista ferrenho. e a tua comida preferida? algo com queijo? adoravas queijo. lembro-me de te ver a comer queijo.
como era a tua vida quando eras pequenino? jantaste alguma vez lá em casa? brincaste comigo quando eu era criança? nasceste mesmo lá na terra, ou tal como a Mãe eras de outro ponto do país?
sabes o orgulho que tenho em ti? sabes como sempre te defendi?
sempre acreditei que me deste a conhecer o melhor de ti no tempo que te foi permitido, mas... nem uma fotografia tua tenho. não temos uma fotografia juntos. no entanto, sei de cor os traços do teu rosto, o teu sorriso. a tua pele morena, o teu cabelo grisalho (que a quimio fez desaparecer), as rugas. as rugas que guardavam a história da tua vida. 
lembro-me de quando ias lá casa, sempre à noite, te perguntar se isso na cara doía; só mais tarde quando já era capaz de perceber as coisas a Mãe me explicou que eram as linhas da tua história. nunca passeaste comigo de mão dada, passeaste? 
lembro-me de quando assinaste a minha ficha da escola. o orgulho que eu tive em dizer à professora que tinha sido o meu Pai a assinar. o Meu Pai. é estranho, desde que foste embora que evito falar de ti. sabes porquê? por causa da Mãe, ela sofreu muito também e não a quero preocupar. mas tu sabes que ainda choro por ti. nunca vou deixar.
pai, podemos recuar quase 6 anos atrás?
todos os dias ia-te visitar e sentava-mo-nos nas escadas lá do hospital a conversar, e tu acendias o cigarro. esse maldito vicio que te levou para longe de mim. eu tinha 17 anos e adorava quando me contavas as amizades que tinhas feito no hospital, sentia-me tão especial quando me dizias que estiveste a jogar xadrez para o tempo passar mais depressa e estares comigo. disseste que lamentavas ter ficado 3 anos sem me dizeres nada, e de teres desaparecido da minha vida.
hoje percebi que foste o primeiro Homem que amei, porque perdoei a tua ausência e esqueci-a. sempre foste, para mim, o Pai mais perfeito que alguém poderia ter. não questionei nenhuma das tuas decisões.
mas agora está a doer, dói sempre mais nesta altura... 
aproxima-se o dia em partiste para uma viagem sem volta e não me perguntaste. mal conseguiste olhar, e mais uma vez fiquei sem saber o que estavas a sentir.
mas Pai, não fiques triste. 
És o Melhor Pai do Mundo. 
se fosses vivo terias exactamente 71 anos e tenho a certeza que apesar dos 48 anos que nos separariam continuarias a tentar perceber-me qual jovem adulta, e me sorririas.
Pai, posso pedir-te uma coisa?
vem visitar-me hoje. 
enquanto durmo sussurra-me ao ouvido que não somos estranhos. tu conheces-me, eu sei. tenho a certeza porra!!! 
hoje Pai, hoje preciso (muito) que me protejas do outro homem que (amo) amei.
não partas hoje, por favor.

domingo, 30 de maio de 2010

I just can't stop

De todas as coisas que já me deste, as melhores foram sem dúvida as que eu não te pedi. 

Todos aqueles pequenos detalhes que podem passar despercebidos à maioria das pessoas, mas que fazem a diferença!

Em cada detalhe, um momento.
Em cada momento, uma sensação.
Em cada sensação, o infinito.

Fizeste-me querer ir mais longe.

E agora não consigo parar...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Switch Off


Hoje foi um bom dia! Dedicaste-o inteiramente a mim. Acordei com os teus beijos misturados com o cheiro das flores que adornavam o tabuleiro do pequeno almoço. Deixei o leite esfriar pois fazer amor contigo pareceu-me prioritário. Falamos sobre tudo: o teu trabalho, o meu, os amigos, os gostos, disparates... Depois fomos até à praia passear. Deste-me a mão pela primeira vez em público e senti-me como uma menina quando recebe a sua primeira boneca. O almoço foi fresco e delicioso naquela esplanada recatada... A tarde em casa foi do melhor, com o sofá, as pipocas e o filme que ainda não sei relatar com tanto beijo e amasso. A noite chegou e levou-te com ela, deixando-me mais uma vez no vazio que me pertence. E este foi o primeiro dia. O dia em que te decidi esquecer...
(é assim que te quero recordar. Vou eternizar as tuas gargalhadas e o palpitar do meu coração)

Maria F.

sábado, 22 de maio de 2010

'Desvaneceste'

Não foste a tempestade que esperava. foste apenas o anunciar do mudar da maré. Foste ansiedade e sobressalto e saudade e muito orgulho. Foste um sorriso que por momentos adorei, que durante dias me deixou o coração acelerado e o pensamento inquieto. Mas não foste amor, nem sequer um pequeno amor. Pois tão depressa chegaste como partiste. Quase nem te senti em mim. Ficou apenas a curiosidade, um qualquer desejo ardente de saber como seria se a paixão vingasse. Já nem sei se foste tu ou se fui eu que precisei de um porto seguro. Não sei. Só sei que me agradou por momentos, talvez por constantemente a solidão me lembrar de que preciso algo a que possa chamar meu. Ou quiçá, por outro motivo qualquer. Foi bom enquanto durou.


Carolina


em 13/05

Rumos

Se todos os dias fossem como este... Se o céu se pintasse de metade das cores com que o vi hoje... E mesmo assim estou incompleta. Continuo a sentir-me a mesma incompletude de sempre. Preciso de amar. Preciso de me sentir viva, sonhar sonhar e sonhar como se tudo estivesse ao alcance do meu bem querer. Como se esticasse o braço e tocasse os sonhos. Basta-me agarra-los. Falta-me um passinho, aquele passinho. Mas tenho medo de o dar e o chão me fugir debaixo dos pés.



Camila

em 13/05

quinta-feira, 20 de maio de 2010

# narizinho cheio de personalidade

vida ( def. )
é aquela que nos dá palmadas nas costas enquanto não nos apunhala ; é aquela que existe porque tem um coração que bate mas quando pára deixas de valer o que vales até ali ; é as quedas que te magoam e as lições de vida que não aprendes ; é um corpo que não tem funcionalidade própria e que morre no dia em que a mascara caí.

domingo, 16 de maio de 2010

# Pilar dos Santos

Pilar já respira
as ondas acalmaram, já não batem com a mesma revolta.
começa a sentir-se leve, apesar da dor ainda presente está mais energética. E lentamente acredita que vai recuperar cada bocadinho que (ele) lhe roubou.
ela sabe que (ainda) pode ser feliz

terça-feira, 11 de maio de 2010

A maior loucura é amar

Tentou escrever alguma coisa. 
Palavras soltas sem sentido começaram a sair da sua caneta. 

Ela queria escrever algo de belo. Mas estava escuro, tudo escuro. Já era noite e chovia sem parar. 

Por fim parou. Respirou fundo. 

Depois escreveu apressadamente, como se quisesse sorver cada letra. A sua respiração tornou-se acelerada. Agora já não podia parar.

Terminou. Amassou a folha de papel e deitou-a para o chão.


Ele estava só de passagem. Não a conhecia. Observou-a de longe, até ela se ir embora. 
 
Levantou-se e caminhou vagarosamente. Pegou na folha amassada, curioso. A tinta ainda estava fresca.

A minha vida está de pernas para o ar. O meu quarto está desarrumado. Tudo em mim é confusão. Não consigo comer, nem dormir. Dou por mim a sonhar acordada, no meio de uma multidão. Às vezes sorrio, mas muitas vezes escondo as minhas lágrimas. E há alturas em que sinto uma corrente eléctrica a percorrer-me e que me deixa sem reacção. Não sei o que se passa. Será loucura ou amor? Ainda não decidi.

Ele sorriu e disse baixinho: "E por que não os dois?"

Erika

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Parágrafo.

Olhou-o nos olhos e foi o fim. Foi morrer e renascer de novo. De repente, sentiu-se libertar duma paixão que há muito lhe dera provas de apenas a querer sufocar, dia após dia. Já não eram negros os olhos que via. Eram antes castanhos, dum tom que jamais havia contemplado senão naquele que prometia vir a ser o protagonista de muitos e muitos textos que viria a escrever, num qualquer ímpeto de paixão, que não sabia de onde nem como viera, mas que depressa se lhe instalara no espírito, prometendo perturbar-lhe irremediavelmente o pensamento.

Apenas porque acho que mereces um (grande) ponto final*

O tempo não mudara nada. Não levara as recordações, não apagara nenhum dos muitos sorrisos que ele lhe oferecera. Pelo contrário, só incendiou ainda mais a paixão  de que padecia, lembrando-lhe do quão importante ele fora durante todos aqueles anos, de quantas vezes lhe falara com aquela meiguice que ela tanto amava. Um dia esgotaram-se as suas palavras doces. Acabaram-se os sorrisos. Não mais ouviu o soar da sua voz. Mas se havia coisa de que estava certa, era de que o amava. Oh, se amava! E por muito tempo que passasse, por mais distantes que estivessem, nada ia mudar isso, até que...

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Sara Aluar # - Anúncio

Olá meninas e menino (se estiveres por aí, Canhoto...)!

Vim só avisar que a Sara Aluar tirou umas férias de mim. Não sei se permanentemente mas resolvi tirá-la daqui, por motivos que, sinceramente, me transcendem... Enfim, espero que não sintam saudades porque, aqui que ninguém nos ouve, ela era um bocadinho maluca...

Mas enfim, já estou a magicar uns novos heterónimos. Quando tiver alguma coisa nova e composta venho a correr para aqui! ;D


Boas escritas!,
Cisne.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Marioneta



Eu não preciso de ti. Não é por ti que vivo, que como, que respiro, que aprendo, que interajo socialmente. Então porquê que sinto que não consigo viver sem ti? Ao início coloquei-me no lugar de uma vítima. Vítima das tuas mãos, vítima do destino, vitimas das brincadeiras mórbidas dos deuses. Eu não escolhi ser a outra pois inicialmente nem sequer sabia que havia mais alguém. Fizeste malabarismos tamanhos com o meu mundo e com isso ganhei força, confiança, crença na felicidade. Mas a realidade é que já não sou a vitima. Não a partir do momento em que me bateste na porta e eu te caí nos braços e nas promessas de que seria uma situação temporária. Eu optei por esperar. Eu optei por beijar os lábios que ela beija, tocar no corpo que ela toca, invadir os sonhos que são dela... Resultado disto? Meto-me nojo! Cada vez que estás comigo iludo-me que nem menina com uma casa de brincar. És meu e só meu. Faço jantares românticos, vemos filmes agarradinhos, finjo que não vejo a tua constante preocupação a olhar disfarçadamente para o telemóvel, fazemos amor. Afinal, é o meu nome que chamas quando te colas em mim. E como sabe bem ouvir o meu nome a ser silvado na tua lingua. Mas quando sais, deixas de ser meu. Não te posso ligar pois provavelmente estarás com ela. “Eu digo-te algo quando puder”. Estas palavras sabem a soco no estômago... Só me apetece ir para debaixo do chuveiro e esfregar-me até à podridão da alma. ..
Eu sou boa pessoa sabem? Sou boa filha, boa irmã, boa amiga, participo activamente em campanhas de solidariedade, faço doações, reciclo, planto árvores, até a minha cadela veio de um canil... Como é que mantenho esta situação? Como é que o amor tem tanto poder ao ponto de me deixar estúpida? Chego a ter pena de ti tantas vezes. Fazes-te de coitadinho. Que ela te faz isto ou aquilo. Atingi o ponto de ser tua amante e tua confidente... E esta bola de neve que não se desfaz está a matar-me sabes? Não fisicamente. Porque não é por ti que eu vivo, não é por ti que eu como, não é por ti que respiro. Está a matar-me ao ponto de eu já não reconhecer o meu coração. Este está a desligar-se de mim e a agir de forma quase autónoma. Não passo de uma marioneta com fios de coração movidos e moldados pelas tuas mãos....
" E que a minha loucura seja perdoada, pois metade de mim é amor, e a outra metade também".

Maria F.

O "virar da maré"

E em apenas um dia:

Camila sentiu-se apaixonada como nunca. Descobriu que por vezes é preciso abrir os olhos e aceitar o que nos rodeia, aceitar aquela que é a nossa realidade naquele preciso momento e que nada vai fazer o tempo voltar atrás. Depois interrogou-se porque demora tanto tempo a apreciar o que verdadeiramente importa, porque o passado a prende assim tanto ao ponto de, quando começa a gostar verdadeiramente de algo, tudo lhe estar já a escapar por entre os dedos. Foi assim que se sentiu invadir por uma enorme melancolia.
Carolina, consciente de que muita coisa estava prestes a terminar, tudo aquilo que ela antes estranhara e rejeitara, controlava-se inutilmente para não se render às lágrimas, se bem que aquela solidão que conhecia bem não deixou de a perturbar.

E assim fiquei dividida entre a paixão e a saudade, as dúvidas e a certeza de uma solidão amarga. Entretanto, e para não me entregar demasiado aos pensamentos, redescobri como era estar apaixonada, como era sorrir só porque certa pessoa sorri, como quando queremos estar perto dessa pessoa o nosso peito se incendeia. Não sei se com isto te ponho um ponto final. É difícil esquecer um amor que cresceu connosco durante quatro longos anos. Mais difícil ainda é partir para um outro... que à partida parece ainda mais impossível.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

"You don't need human relationships to be happy" - Welcome to my wild side


Gosto de abraços, de beijos e amassos. Gosto de sentir tudo como se não houvesse amanhã, e o sentimento ficar por ali, restando apenas uma dúzia de boas histórias para contar. Não gosto de estabelecer laços pois, mais tarde ou mais cedo, vou ficar presa neles. Não gosto de amar (o que quer que isso seja...) nem das complicações que isso acarreta. Keep it simple. É assim que vejo as coisas. Um dia saio de casa para tomar café e não volto mais. Parto numa viagem sem rumo, passando pelos braços deste e daquele ou dormindo ao relento, vivendo apenas das palavras que me alimentam a alma quando me falta o calor de um abraço. Um dia levo-te daqui e vamos viver para uma qualquer praia deserta. Só nós os dois (e a minha loucura). E no dia seguinte, apercebendo-me de como te tornaste possessivo, parto de novo. Não suporto o sufoco de uma relação. A bem dizer, não suporto qualquer relação, porque amo demasiado a liberdade de ir para onde e com quem eu quiser. Não gosto de dar justificações, nem de enxugar lágrimas nem da obrigação de permanecer fiel a um bando de gente que eu não escolhi para me acompanhar nesta caminhada. Sou fria e não penso duas vezes antes de mentir. Faço o que for preciso, passo por cima de quem for preciso e não caio em falsas promessas. Não me venham com falsos moralismos nem sentimentalismos da treta. Sou uma pessoa de extremos.  Faço o que quero, porque quero e quando quero e nada o vai mudar. Pudesse metade desta gente ser como eu... Fracos!


Natasha

*Christopher McCandless (Into the Wild)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

# Pilar dos Santos

Pilar vê os dias a passarem lentamente por si, na sua cabeça ecoam perguntas e dúvidas.
Sente o que não sabe sentir.
Quer o que não é para si.
Achava que não perderia os sonhos assim, achava que poderia ser sempre feliz.
Mas descobriu a mentira, e isso matou-lhe os sonhos. Pilar já não sonha, a sua certeza já não existe.
Quando deu, deu tudo... e agora perdeu tudo.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O lado triste de mim


Sou uma jovem como tantas outras. No entanto, há mil e umasrazões que me separam dessa "normalidade". Um dia disse (com orgulho) não ao álcool, às drogas, à promiscuidade, às relações passageiras, vazias de amor. Um dia disse não a uma enormidade de coisas que supostamente deveria recusar, mas que são o bilhete de entrada no mundo social. Decidi aproveitar as coisas pequenas da vida. As idas à praia e ao cinema, as idas ao café mais as conversas na esplanada, as sessões de karaoke, as noites em claro a discutir banalidades. Em momentos como este fico perplexa com as consequências dessa decisão. Nunca esperei que isso fosse sinónimo de metade da solidão que estou a sentir agora. Nunca pensei que os bons momentos se dissipassem e que agora me visse trancada em casa, à espera de um convite que nunca chega. Não percebo. Juro que não. Como se pode jurar amizade eterna, dizer que se adora alguém com a mesma leviandade com que se diz a mais banal das palavras? Como? E depois vira-se-lhe as costas - ele(a) que se arranje, que eu agora quero é seguir o meu caminho!. É de mim ou hoje em dia tudo perdeu o devido valor? Não consigo perceber o porquê - se é das escolhas que faço, ou das pessoas que o destino põe no meu caminho... A verdade é que hoje me sinto terrivelmente . Abandonada e ao mesmo tempo ridícula por dizer uma coisa destas. É assim tão errado, dizer não??

Devia ter-me apresentado. Sou o lado consciente da Camila, aquele que não se deixa embriagar pelos sonhos. Sou o oposto da sua ingenuidade, a sombra que a assola quando, por algum motivo, para ela o Sol deixa de brilhar.


Carolina

terça-feira, 27 de abril de 2010

O começo

Despertou-me a atenção desde a primeira vez que o vi. Não porque fosse extraordinariamente belo, mas porque havia uma qualquer magia no seu sorriso. Invejava-lhe a postura descontraída e a simplicidade com que brincava com as palavras. Quando soube o seu nome, senti um arrepio, pois recordava-me as feridas ainda por sarar de um amor de outrora. Só consegui pensar "Espero não me apaixonar por ele também!". E o destino fez-me a vontade (até um dia). Apaixonei-me. Não por ele, mas por um rapaz que em breve partiria. De vez em quando, ele fava comigo, mas eu estava sempre de pé atrás. Sofrera tanto que não conseguia agora confiar em ninguém. Ele era sempre tão doce, tão meigo e parecia sempre tão disposto a ajudar, sem reclamar nada em troca. Admirava-o por isso, e pelo sentido de humor incrível. Admirava a sua inteligência e a forma como dançava. Mas se havia coisa que eu amava... era saber que ele sentia de cada vez que eu estava triste. E saber que viria ter comigo e dar-me a mão, de cada vez que estivesse prestes a entregar-me às lágrimas.
Foi com ele que aprendi o que era amar de verdade. Aprendi como tudo o resto pode ser tão insignificante, tão supérfluo. Aprendi também a sonhar. E como sonhar me deixava feliz...!


Camila

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Tempo

Tempo...

Tempo que passa e não passa,
Tempo que fere e que amassa.

Quantos não quereriam que o tempo acabasse?
Quantos não querem tempo para si mesmos?

As horas, os minutos e os segundos
Que tão cedo se tornam tardios
E que parecem nunca chegar...

Oh tempo, por que não páras
E nos deixas sonhar?

Erika

Missing my lovers


Hoje de manhã, enquanto caminhava pelo mesmo passeio de sempre, em direcção ao trabalho, entrou-me o odor húmido mas primaveril que me fez regredir uns 6 anos. Veio-me à cabeça as minhas noites  em que eu e a Joana nos deitávamos na relva a divagar sobre o tão promissor futuro:
Joana – Vá lá, diz...
Maria- oh eu sei lá. Como é que queres que eu resuma em palavras o meu homem ideal? Ele terá de ser  tanta coisa...
Joana- É simples trenga. Ora ouve, para mim terá de ser lindo de morrer. Loiro, de olhos escuros e com aquele corpo todo durinho. Tem de me levar ao D’ Oliva todas as sextas para nos podermos pavonear no meio daqueles novos ricos que pensam que são donos do mundo. Além do mais, se não souber surfar ou se não tiver um carro que corresponda à minha imagem, não vale a pena. Entendes?
Maria-  Joana, definitivamente não existes. A tua futilidade todos os dias me surpreende. Tens noção que essa tua postura faz de ti uma pseudo nova rica, dessas que tanto criticas? Se não fosses assim tão adorável, não sei não...
Joana – Sou o que sou e assumo isso. E também te adoro minha gaja boa. Mas estás a fugir à questão!
Maria – Sabes que tenho mais queda para homens morenos, mas não vou muito por aí. Terá de me fazer rir todos os dias, tem de ser inteligente, com um sorriso meigo e malandro. Tem de me fazer acreditar em coisas boas, causar-me borboletas na barriga e apaixonado pela vida... Ai sei lá, tanta coisa...
Joana – sabes que vais ficar solteira para sempre? Príncipes desses estão fechados a sete chaves nas historias.
Maria – Eu sei...
(suspiro)
Os meus pensamentos são interrompidos pelo toque do telemóvel. É ele, pela vigésima vez na última hora. Só me apetece espanca-lo. Tornar física nele toda a dor que há em mim. Por outro lado, as saudades estão a arruinar-me. Estou mesmo quase a ceder... quase quase...
- Estou ... Diz lá o que queres Filipe...
...

# narizinho cheio de personalidade

Ele sorri…


No rosto dele surge uma luz
os seus olhos
reflectem uma inocência do menino que nele existe
E ele sorri…
de cabeça erguida
pronto para escrever novas histórias num caderno com páginas ainda em branco
o seu sorriso…
esconde receios
uma distância tão compreensível como o respirar.
E ele sorri…
esconde uma parte de si
uma parte que está ferida
mas sonha assim.
O que ele não sabe é que o seu sorriso
inspira sonhos, desejos e momentos
faz palpitar e arrepiar
acreditar…
E ele sorri…
inspira os sonhos com o seu sorriso
inspira borboletas com o olhar
inspira vontade de acreditar
É assim o inspirador de sonhos…mas ele não o sabe.
no entanto eu sei e é suficiente.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

# Camila

Camila partiu levando com ela somente o coração partido e umas tantas recordações que preferia ter apagado. Quando chegou ao novo local, estranhou tudo quanto lá havia. Sentiu-se perdida, deslocada. Mas gostou do que viu. Em breve, divertir-se-ia com nomes e sítios a desvendar. Em breve, aprenderia a amar aqueles encontros que antes lhe sabiam a novidade, a incerteza.
Foi trocando palavras aqui e ali, na esperança de encontrar alguém que partilhasse os seus receios e dúvidas, mas que também soubesse aproveitar as alegrias da forma que ela o fazia. E encontrou. 
No entanto, depressa se apercebeu de que isso não lhe bastaria. Havia um outro mundo, para além do porto seguro que encontrara ao lado dos seus. E lá não havia certezas.

# narizinho cheio de personalidade


Há demasiadas relações ocas entre as pessoas. Porque é que são tão falsas? Porque é que se pintam de amor, quando não o têm?
Tentam ostentar riquezas e mais riquezas, tornam-se fúteis. Será que alguma vez sentiram um verdadeiro abraço? Um verdadeiro sorriso? Uma verdadeira amizade?
É assim tão díficil compreenderem que não se pode dar o que não se tem?! Mas não, apontam o dedo, críticam e magoam de uma forma que me trespassa mais que o coração.
Quantas vezes quis chorar e sorri pelas pessoas que estavam comigo, que merecem? Quantas vezes tinha tanto para dizer e calei? Queria ser capaz de mostrar o que tenho em mim, que também sou feita de sentimentos, tenho alma e um coração. Mas, cada vez que dou um passo nessa direcção há um acontecimento que me faz desacreditar na veracidade das pessoas que me rodeiam.
Sinto-me vazia … vazia não é a melhor expressão, porque tenho muito em mim... mas são tantos os sentimentos, confusos... são resquícios de feridas. Demorei tanto tempo a construir-me, a aprender-me que dói cada segundo em que desacredito.
Pois é, por trás de todos os sorrisos, de toda a confiança, de toda a luta, da minha história de vida... há uma menina que também chora.
Faz exactamente hoje, 5 anos que vi o meu pai como nunca pensei. Naquele quarto branco de hospital, deitado naquela cama, com tantos fios à sua volta, com tanta dor no seu olhar. Apesar de parecer que não ouvia lembro-me de chegar à sua beira, dar-lhe um beijinho e dizer-lhe “estou aqui pai, adoro-te”, pareceu tão indiferente, tão distante... talvez as dores se tivessem a apoderar dele, talvez ele sentira que se aproximava a sua partida, talvez fosse ele a xegar ao limite….
mas quando fui despedir-me eis que me agarrou a mão, afinal ele sabia quem eu era e percebeu o que lhe disse.

nesse dia aprendi, ainda que à força, a aguentar a dor….não podia deixar a minha mãe perceber o quanto eu sangrava... os meus irmãos por mais que tentassem perceber eram incapazes de imaginar a dor que era... era o meu PAI.
ali estava eu, aos 17 anos a aprender a lidar com a pior dor que o ser humano se pode deparar
não imaginaria que pouco tempo após iria ter que me aguentar perante a ausência do meu pai…..poucos dias depois ele partiu e nunca mais voltou. Ia com um sorriso nos lábios…
estaria feliz no seu último segundo? o que terá pensado?

tantas perguntas…..tanta dor que expresso todos os anos à noite no meu quarto, é impossível esquecer este dia….
toda a gente me faz questão de o relembrar, e abrir a ferida

Queria tanto voltar a tê-lo à minha frente, pedir-lhe um abraço e que me fizesse festinhas no cabelo, que me chama-se piolho e que se irrita-se comigo quando lhe chamava papa, porque ele era “pai ou paizinho”... que me fizesse cocegas, e resmuga-se comigo quando eu dizia que o benfica dele tava morto…
tenho saudades do cheiro dele….
o sorriso….

um dia sei que serei motivo de orgulho….assim como tenho orgulho de ser filha dele.

dad *

(texto escrito a 17 de Junho de 2009)
Hoje faz sentido revela-lo
porque hoje, só precisava que me abraçasse
para saber que por muito mais que me tenham magoado
tudo ficará bem.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Verdade 1#

( Caminho de um lado para o outro da sala à espera que as ideias me assentem, que nem poeira... Falas e falas e falas mas sinto-me ourada, embriegada com a confusão... )

Filipe- Eu queria ter-te contado mais cedo, juro que queria. Mas cada vez que tentava perdia a coragem com medo de te perder!

( Continuo a andar e a olhar para o chão. Tenho a garganta tão seca que as palavras não saem... )

Filipe- Fala comigo. Tenta entender. Grita comigo se for preciso. Estás bem?

( Não posso chorar, não posso ceder ás lágrimas que me queimam a retina. não, não, não... Isto não me está a acontecer... )

Filipe- Maria, fala comigo por favor! Eu imploro-te!

Eu- Há quanto tempo?

Filipe- Há quanto tempo o quê?

Eu-Não te armes em mais cabrão ainda!!! Há quanto tempo me andas a trair Filipe? Há quanto tempo me andas a fazer de estupida?!!

Filipe- Maria, tenta entender por favor! Não é assim tão simples...

Eu- HÁ QUANTO TEMPO?!!!

Filipe- Eu e a Ana namoramos há 3 anos...

( Ouras e mais ouras... tudo começa a girar. O chão parece flácido. Acho que vou vomitar. Aposto que estou branca que nem defunto... Sinto-me em choque, como se tivesse sido atropelada. Até as mãos estão dormentes... Como é que isto é possível? Como é que me deixei enganar...)

Eu-Estás a dizer-me que eu é que sou a outra? A amante? Aquela que se meteu na tua relação?

Filipe- Eu entendo que estejas chateada Maria. Grita comigo, bate-me, insulta-me. Mas acredita que te amo mais do que tudo. E se falhei foi porque fui um covarde, não consegui terminar para ficar só contigo. Ela não tem um feitio fácil e anda numa fase muito complicada. Mas é a ti que eu quero. Não sei viver sem ti. Dá-me uma segunda chance por favor!

Vomito o chão, grito para ele sair, atiro com o que estava à mão contra a porta, logo a seguir à sua saida.

E agora estou aqui, gelada, agarrada ao joelhos, a magicar com que raio é que te vou arrancar do meu coração. Está partido em mil pedaços, mas estás impregnado em cada um dele... Ironia desta merda de sentimentos. Amo-te tanto quanto te odeio...

Maria F.

terça-feira, 20 de abril de 2010

# Camila

Camila cresceu e a vida mostrou-lhe que as pessoas nunca são o que parecem. Chorou, sofreu, mas nunca se sentiu sozinha. Até que um dia a esbofetearam com as palavras, digo calúnias, mais cruéis que alguém já proferira. Nesse dia, sim, sentiu.-se sozinha e tão pouco recordava como era ser amada. Nesse dia, percebeu que alguns laços se desfizeram e fizeram-no para sempre. Nesse dia... só quis desaparecer.
O dia transformou-se em semanas e perseguição tornou-se insuportável. Já não havia mais lágrimas a derramar. num ímpeto de dor, apimentado por uma raiva crescente, Camila largou tudo. Porque a vida é mesmo assim. É conhecer e partir. Não ficou triste por perder as amizades que os anos semearam, nem por deixar morrer as rotinas às quais já estava tão acostumada. Era hora de mudar. E a mudança não espera. Era uma daquelas situações de "agora ou nunca". Ou partia ou começava a traçar aquele que seria o seu fim. Decidiu partir.