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domingo, 9 de outubro de 2011

Ele

Quando estou com ele, sinto-me bem porque não tenho de esconder quem sou. A sensação de liberdade é incrível, indescritível. E ele pode ser um pouco estranho, mas eu gosto dele. Não é como os outros. Ele entende-me. Ele aceita-me.
Estávamos a meio de uma nas nossas (muitas) gargalhadas em conjunto quando ele apareceu. Nesse mesmo instante, o meu riso desvaneceu e a minha expressão facial tomou contornos mais sérios. Ele continuou a rir até reparar nele também.
- Olá! Há tanto tempo que não te via. - disse ele para quem chegava.
- Importas-te que fale um minuto com ela? - respondeu ele a apontar para mim, com um ar frio e inexpressivo.
Ele olhou para mim e os meus olhos pediram-lhe compreensão. Ele fez um pequeno aceno com a cabeça e afastou-se de nós. De mim e dele.
- Bem, estou a ver que me substituíste depressa.
Respirei fundo e disse:
- O que é que queres?
- Erika... - ele começou.
Sempre adorei a maneira como ele diz o meu nome. E a voz dele. Com o tempo desvaneceu-se na minha mente. E agora estou a ouvi-la e parece-me tão familiar...
- ...eu queria pedir-te desculpa. - ele acabou.
- Acho que é um bocado tarde para isso. - respondi, revirando os olhos.
- A sério, ouve-me. Eu não te dei uma oportunidade de te explicares, não quis compreender o teu lado... Gostava que me conseguisses perdoar.
- Não sei se isso é possível.
- Eu dou-te tempo.
Ri-me.
- Ah sim? Quanto tempo?
- O tempo que quiseres.
Deixei de encarar o vazio e olhei-o nos olhos. Desde que quando é que ele era paciente? O que aconteceu a toda aquela impulsividade que ele tinha?
- As coisas mudaram. Não dá para voltar atrás.
- Não te peço para que as coisas sejam como dantes. Estou só a pedir o teu perdão.
- Vou pensar.
Ele sorriu levemente e eu imitei o gesto. Levantou-se e disse-me:
- Bom, é melhor ir andando.
Ele meteu as mãos nos bolsos e virou-se para ir embora, mas desfez o movimento durante um momento.
- Gostava de te conseguir fazer feliz como ele consegue.
Principiou a caminhar na direcção por onde veio e antes que ele pudesse desaparecer de vez gritei o seu nome e acrescentei em seguida:
- Eu nunca te vou conseguir substituir.

3 comentários:

Cármen disse...

E a seguir espetaste-lhe um beijo. :D

Inês Carrasqueira disse...

é o amor...

Cisne disse...

Apesar de sempre se dizer que não, algumas pessoas são mesmo insubstituíveis e geralmente são elas as que amamos mais, que conhecemos melhor.

Cisne.

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